terça-feira, 2 de setembro de 2014

" Žižek e o Estado laico "


Por Slavoj Žižek.*
14.09.01_Zizek Estado laico
Em meio a um cenário marcado por discussões acaloradas sobre a laicidade do Estado num Brasil em pleno debate eleitoral – um dos países mais religiosos do mundo, mas também um dos que mais sofre com violência contra a mulher, minorias LGBT e negros (algo que se evidencia inclusive, como vimos muito recentemente, nos rituais coletivos nacionais mais populares como o futebol) – Slavoj Žižek, que acaba de publicar no Brasil Violência, seis reflexões laterais (Boitempo, 2014), reflete sobre os impasses da sociabilidade contemporânea entre a ideologia do multiculturalismo e o fundamentalismo arraigado. Comentando o recente escândalo de Rotheram, junto com outros casos no mundo inteiro de violência contra a mulher, o filósofo esloveno, chama atenção para o fato de que “em todos esses casos a violência não é uma explosão espontânea de energia brutal que rompe as amarras dos costumes civilizados, mas algo aprendido, imposto externamente, ritualizado, parte da substância coletiva de uma comunidade”. Confira:

* * *

No debate sobre Leitkultur (cultura dominante) da década passada, os conservadores insistiam que todo Estado é baseado em um espaço cultural predominante que os membros de outras culturas que vivem no mesmo espaço devem respeitar. Ao invés de lamentar a emergência de um novo racismo anunciado em tais declarações, devemos voltar um olhar crítico sobre nós mesmos e nos perguntar até que ponto nosso próprio multiculturalismo abstrato contribuiu para este triste estado de coisas. Se todos os lados não compartilharem ou respeitarem a mesma civilidade, então o multiculturalismo se torna uma forma de legalidade regulada por ignorância mútua ou ódio.

O conflito sobre multiculturalismo já é um conflito sobre Leitkultur: não é um conflito entre culturas, e sim um conflito entre diferentes visões de como culturas diferentes podem e devem coexistir, sobre as regras e práticas que essas culturas tem de compartilhar se quiserem co-existir. Devemos portanto evitar a armadilha da pergunta liberal “com quanta tolerância podemos arcar para com o outro?”. Nesse nível, é claro, nunca somos tolerantes o suficiente, ou então já estamos sendo tolerantes demais… A única forma de romper com esse impasse é propor e lutar por um projeto universal positivo compartilhado por todos os participantes.

É por isso que a tarefa crucial daqueles que hoje lutam pela emancipação é de ir além do mero respeito por outros, em direção a uma Leitkultur emancipatória positiva que, somente ela, poderá sustentar uma coexistência e mistura autêntica de culturas diferentes.

Nosso axioma deve ser que a luta contra o neocolonialismo ocidental, bem como a luta contra o fundamentalismo, a luta do WikiLeaks e de Snowden bem como a do PussyRiot, a luta contra o antissemitismo bem como a contra o sionismo agressivo, são partes de uma mesma luta universal. Se fizermos qualquer concessão aqui, estaremos perdidos em ajustes pragmáticos, e nossa vida não vale ser vivida.
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* Trecho do artigo “Rotherham child sex abuse: it is our duty to ask difficult questions“, publicado originalmente no The Guardian em 1° de setembro de 2014.
A tradução é de Artur Renzo, para o
Blog da Boitempo.

" Dilma e Marina ignoram os outros adversários "

 
ABERTURA DE POLÍTICA+, TERÇA-FEIRA
 
Todas as vezes em que o regulamento do debate no SBT permitiu, Dilma Rousseff e Marina Silva escolheram uma a outra para fazer perguntas.
 
Dilma de vermelho e Marina de branco pareciam estar num debate de segundo turno. Aos demais adversários restou o papel de coadjuvantes. Organizado por SBT, Folha de S.Paulo, portal UOL e rádio Jovem Pan, o confronto foi o segundo desta campanha.


Menos tensa do que no encontro anterior, na Band, Dilma foi a primeira a perguntar. Escolheu Marina. Apresentou uma lista com as promessas da adversária e quanto elas custariam, para perguntar de onde sairia o dinheiro para bancar as medidas. Com a calma que tem caracterizado sua participação nos debates, Marina evitou identificar fontes concretas. Disse que o importante era a “qualidade do gasto” e que o dinheiro viria da maior eficiência na arrecadação e na administração.
Marina também escolheu questionar a principal adversária, citou os índices negativos da economia, lembrou promessas da campanha de 2010 e perguntou a Dilma o que deu errado no governo dela. A presidente preferiu responder com o que deu certo, reconheceu que o país tem problemas “e que as mudanças precisam continuar”. A candidata do PSB voltou a acusar Dilma de não reconhecer os erros, o que dificultaria a correção de rumo.
A presidente voltou à carga, cobrando de Marina pelo que chamou de “desprezo pelo pré-sal”. Marina disse que não desprezava o petróleo, mas que era preciso ir além e investir em fontes alternativas de energia, coisa que o PT não teria feito. Dilma rebateu citando os milionários investimentos em energia eólica.
Até o fim, as duas trocaram farpas.
 
 Mesmo nas respostas aos jornalistas e a outros candidatos, uma dirigia indiretas à outra ou tentava complementar respostas que haviam ficado pela metade.

Mais uma vez, Dilma foi fustigada por todos os concorrentes, especialmente por conta do mau desempenho da economia.



Com Marina, os pontos mais abordados foram a falta de base no Congresso, as contradições entre discurso e prática e o recuo em relação aos direitos dos homossexuais, por pressão do pastor Silas Malafaia.




" O retrato cubista de Marina Silva "


     A percepção de um rosto no coração da gente.

Muitos já notaram o quanto Marina Silva se tornou uma pessoa feia em menos de 30 dias. No seu natural, ela nunca foi bonita. Mas havia nela uma face que, sem ser um feitiço para os olhos, despertava em todos nós um afeto, uma admiração, uma, já disse o bloco de carnaval do Rio de Janeiro, uma simpatia que era quase amor. Agora, não. Aquela voz que jamais anunciaria voo de avião no aeroporto, desagradável, áspera, aguda, agora vem trêmula, vacilante, mecânica, que lembra mais um discurso de robô em peito de lata.

E aqui eu faço uma breve suspensão para o cubismo. Com absoluta certeza, muitos já viram quadros de Picasso, em especial o “Retrato de Dora Maar”. Ou melhor, para maior choque, o quadro “Dora Maar com gato”. Para a nossa vista acostumada a volumes, ou à ilusão de volume que tem um desenho em perspectiva, o quadro é um horror. É um quadro cubista. Isso quer dizer: no cubismo, os objetos e pessoas representadas quebram-se em muitas faces, decompõem-se. O artista procura a visão total da figura, examinando-a em todos os ângulos ao mesmo tempo. E devido à fragmentação excessiva dos objetos, torna-se quase impossível a identificação da figura original. A pintura apresenta duas, três ou mais caras juntas em um mesmo rosto.

Pois assim tem sido Marina Silva. No último debate dos candidatos na Band, as suas muitas faces em um só plano eram quebradas, fragmentadas, expostas, mas reunidas todas em um só rosto. Mas sem harmonia para os olhos, aqui substituídos pelo que conhecemos dela. Por exemplo, ao ser questionada sobre as idas e vindas em São Paulo, sobre a sua candidatura estar ao lado de Alckmin e ao mesmo tempo não estar, ela afirmou: “Eu me sinto inteiramente coerente”. Aí vêm as coerências de um rosto cubista, porque assim falou Marina Silva: “Quando eu disse que não ia subir nos palanques que havia antes acordado com o nosso saudoso Eduardo Campos…” Notem o saudoso de passagem, mas saudade aí tem um conteúdo bem diferente do sentir falta.

Mas continuemos a reproduzir a fala da Marina saudosa, no sentido de quem tem uma alegre saudade: “Quando eu digo que quero governar com os melhores do PT, do PSDB e do PMDB…” Notem que ela substitui uma harmonia de ideias e valores partidários por uma seleção de melhores. Ótimo, para os ingênuos. Mas sob qual critério, os melhores serão eleitos por Marina, ela própria, que se acha a melhor dos melhores? E continua a rara orquídea decomposta em faces de um cubo: Ela criará o “Estado Mobilizador”, mas que diabo será isso? Uma injeção para uma corrida de 100 metros rasos? Não, é o Estado que nem é mínimo nem é provedor – e provedor vocês sabem o que é: é o Estado do Minha Casa, Minha Vida, por exemplo. Já o Estado Mobilizador é aquele capaz de mobilizar a iniciativa privada, empreendedorismo social, no atendimento das necessidades da população… Pelamordedeus: onde já se viu a iniciativa privada atender às necessidades da população? O valor do empresário, daqueles mais empreendedores, é o lucro. Ponto.

Mas continuemos em outras faces e fases de Marina que ela justapõe no mesmo rosto. No debate da Band ela cravou:

“Quero combater essa visão de apartar o Brasil, de que temos de combater as elites. O Guilherme, da Natura, faz parte da elite, mas os ianomâmis também. A Neca é parte da elite, mas o Chico Mendes também é parte da elite. Essa visão tacanha de ter de combater a elite deve ser combatida”.

Meus amigos, essa eu vi e ouvi. Isso valeria para um atestado de óbito de um ex-militante socialista. Mas em Marina é apenas mais uma absurda face. A Neca, no caso, é acionista e herdeira do Banco Itaú, que para Marina é apenas uma educadora social.
 
 O Guilherme é um chapa, um cara legal, desinteressado, que joga dinheiro fora por nada, só por amor ao retrato de Dora Maar. E Chico Mendes, bem, é aquele cara que foi morto na luta na floresta. Mas todos estão juntos e na elite, lado ao lado dos ianomâmis. Não é piada, é um escárnio, que já vem pronto.

“O senhor Leal, da Natura, deve bilhões ao fisco”, respondeu Fidelix, outro candidato.
 
 E mais: “A gente sabe também que o banco Itaú não quer pagar R$ 18 bilhões pela compra do Itaú-Unibanco. E a senhora está com essas pessoas”.
 
A isso Marina respondeu que os empresários que respondam, porque ela mesma está acima de coisas tão mesquinhas. Mas continuemos.

Em outra face do seu retrato cubista, Marina hoje se declara contra a esquerda, ao mesmo tempo que se filia à luta da militância no Acre, quando lhe é conveniente. E critica, e chama de “velha esquerda”, a que se acha dona da verdade, que acha que vai começar tudo do zero. Na educação, sobre o ensino do criacionismo em escolas, Marina defendeu uma educação “plural”: “Se você coloca claramente para as pessoas que existe uma outra visão, a do evolucionismo, não vejo nenhum demérito nisso”, Mas o evolucionismo não é uma outra visão, para ser posta ao lado da criação do mundo por Deus. É a diferença entre ciência e crença medieval.

Disse antes que nos últimos tempos Marina se transformou num retrato cubista e cometi um pecado. Em Picasso, cubismo é arte. Ele está há séculos e anos-luz de distância das muitas faces de Marina Silva, em um só plano. E o plano dela é o que reúne todas as suas faces: chegar à presidência da República. Nesse novo retrato dos últimos tempos, Marina é a encarnação de um amontoado de faces. Da falsa viúva à madona falsa, mas sempre de cabelos presos e com bastante pudor. Daqueles retratos que a direita brasileira adora.

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“O ódio à democracia é tão velho quanto a democracia: a própria palavra é a expressão de um ódio.”

Para aprofundar a reflexão sobre democracia, política, república e representação, entre o conceito e a dura realidade vivida, recomendamos a leitura de O ódio à democracia, de Jacques Rancière. Com orelha de Jenato Janine Ribeiro, o livro chega às livrarias este fim de semana, às vésperas das eleições brasileiras!
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* É natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. É colunista do Vermelho. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Soledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, de O filho renegado de Deus (Bertrand Brasil, 2013), uma narração cruel e terna de certa Maria, vítima da opressão cultural e de classes no Brasil, e do Dicionário Amoroso do Recife (Casarão do Verbo, 2014). Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.
Fonte: http://blogdaboitempo.com.br/02/09/2014

" Racismo, Hipocrisia e Demagogia "

Artigo ZH

SÉRGIO DA COSTA FRANCO



Historiador
Multidões são universalmente irracionais, violentas e inconsequentes. Quanto às multidões que lotam os estádios de futebol, é inevitável que, além de exacerbadas pela disputa esportiva e não controladas por qualquer poder superior ou liderança emotiva, assumam atitudes agressivas e desumanas. Ninguém jamais as controlará.
 
Por isso, despertam-me até indignação as manifestações que têm surgido nos veículos de comunicação, de sumária condenação (e até diria linchamento) de uma parcela reduzida da torcida gremista, que ofendeu o goleiro Aranha, do Santos F.C. Esclareça-se que “Aranha” é apelido ostentado por aquele atleta desde a Baixada Santista, decerto em razão de alguma similitude descoberta pelos seus conterrâneos, não inventada nas arquibancadas da Arena do Grêmio. As torcidas de futebol são criativas na aplicação de alcunhas, algumas amistosas, outras francamente agressivas, dependendo do grau de estima ou desestima do jogador.
 
 A injúria aos participantes do prélio esportivo é algo entranhado nas tradições do futebol e que tanto atinge os próprios atletas em campo quanto a comissão técnica, os “bandeirinhas” e suas mamães.
e não só a discriminação racial,mas de etnias...o quanto nós,os Brasileiros não somos CORDIAIS,tampouco FRATERNAIS,com humanos de outro País.
Discriminar é CRIME.
O epíteto de “burro” acompanha inevitavelmente os treinadores. As mães dos árbitros devem adaptar-se a uma ladainha de insultos, às vezes gritados em coro e em geral tolerados com alguma bonomia.

Xingar o árbitro da partida é permitido, salvo se ele tiver um bisavô na África. Xingar a mãe do árbitro é admissível… Mas agora, em nome da hipocrisia do “politicamente correto”, pretende-se bloquear os afrodescendentes contra qualquer hostilidade verbal, mesmo quando a provoquem. “Negrão”, só com licença do próprio. E não duvido que criminalizem até o carinhoso “neguinho”, que é apelativo usual entre brancos afetuosos.

 

Contra injúrias, todos temos direito a proteção legal, mediante queixa… se e quando a identificação do ofensor se tornar possível. Mas, na imprensa do Rio e de São Paulo, pretende-se crucificar o Grêmio e o próprio Rio Grande do Sul como racistas, por causa de manifestações incontroláveis. Como se no Rio e em São Paulo não houvesse práticas similares. E agora me contam que uma das moças da torcida gremista perdeu até o emprego em função da campanha demagógica. Suprema injustiça!


" Envelhecendo com Sabedoria "

Artigo ZH

 

NEWTON LUIZ TERRA
Diretor do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS

Envelhecer é uma das mais difíceis tarefas da vida humana. Muitas pessoas nunca enfrentam a grande crise do envelhecimento.

Durante algum tempo, lutam contra o fato inevitável e, aos poucos, atingem um estado de resignação amargurada. Depois renunciam a toda a ambição, cansam-se e perdem a vitalidade.

 

Uma das mais belas oportunidades para o crescimento e a evolução humana fica perdida porque estas pessoas não compreendem que o envelhecer oferece ao homem um grande desafio para o amadurecimento.


Cícero estava com 62 anos quando escreveu De Senectude, seu célebre ensaio sobre envelhecimento. Ele morreu no ano seguinte, aos 63 anos. Hoje, uma pessoa com 62 anos de idade é considerada “jovem”. Embora a velhice no Brasil inicie cronologicamente aos 60 anos, são cada vez mais numerosos os indivíduos que excedem em muito esta marca na plenitude de suas capacidades físicas, emocionais e, principalmente, intelectuais. Aqui no Rio Grande do Sul, temos vários exemplos de octogenários e nonagenários ativos e brilhantes nas suas atividades. Estes deveriam servir de exemplo para todos nós.


Uma das mais interessantes descobertas da gerontologia atual é que cada indivíduo tem na realidade outras idades ao mesmo tempo. A biológica, a social, a cultural, a filosófica, a psicológica, a econômica e, por último, a cronológica que é a idade do nascimento, determinada pelo número de anos vividos pela pessoa e que é um indicador limitado da idade do indivíduo. Não devemos esquecer que a velhice é uma instituição política e uma convenção social, estruturada por um sistema que revoga os direitos de empenho social do indivíduo após um determinado número de anos. Essa instituição possui convênio com toda a poderosa máquina de falsa sabedoria popular que justifica o exílio de seus membros, taxando-os de incompetentes, improdutivos, assexuados, frágeis e que não têm nada mais a contribuir. Isso não passa de uma grande mentira. Os indivíduos não devem esquecer que a energia, a capacidade de trabalho e de relacionamento e o entusiasmo perduram por toda a existência da maioria das pessoas.

" Por um debate mais qualificado "

Editorial Zero Hora


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O Brasil vive um momento exuberante de sua democracia, em que a disputa pelo poder no país e nos Estados transcorre em clima de civilidade e transparência.
 
 Graças à plena liberdade de expressão e à autonomia dos meios de comunicação, incluindo-se aí a internet, para o bem e para o mal, a população tem a oportunidade de acompanhar a campanha eleitoral em todos os seus detalhes, podendo inclusive interagir com partidos e candidatos que se propõem a representá-la.

 

Neste contexto, chegou a hora de cobrar mais qualidade nas propostas que vêm sendo apresentadas no horário político, nas entrevistas e nos debates.
Até o momento, pode-se considerar vaga, repetitiva e muitas vezes confusa a maioria dos programas apresentados, especialmente pelos candidatos à Presidência da República.
 
Não são poucas as contradições denunciadas pelos analistas políticos entre o que consta em propostas muitas vezes sumárias dos partidos e os discursos dos que deveriam defendê-las. Não são conflitos entre programas e retóricas apontados pelos concorrentes, na natural troca de acusações da antevéspera da eleição, mas desencontros públicos evidentes entre o que está escrito e o que é dito ao eleitor.
 
 A um mês do pleito, os candidatos devem explicitar suas ideias com mais clareza e aprofundar programas, planos e intenções apresentados até agora de forma sucinta. Os eleitores têm direito a uma campanha que não seja marcada pela superficialidade, pela confusão e por omissões em relação a questões essenciais para o país.

Além disso, revela-se equivocada a estratégia da desconstrução, utilizada por marqueteiros de candidatos em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto.
 
 Em vez de apresentarem planos concretos que convençam o eleitor de que estão capacitados para governar, alguns optam por desconstituir os rivais melhor colocados, sem se dar conta de que, ao fazê-lo, atingem também seu eleitorado.

Ora, se o momento da democracia é promissor _ como, ainda ontem, destacou o colunista Luis Fernando Verissimo em sua crônica neste jornal _, cabe aos candidatos contribuir para qualificar ainda mais o debate, mostrando de forma aprofundada seus projetos e confiando no discernimento dos eleitores para julgá-los, bem como aos dos demais concorrentes.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

    RENATA AGOSTINI
- FLÁVIA FOREQUE
 - JOHANNA NUBLAT DE BRASÍLIA

Cursos-relâmpago inflam vitrine eleitoral de Dilma

Matrículas para formar técnicos com diploma são só 28% de programa exaltado para suprir empresas e indústrias
Há mais alunos para ter noções de manicure (2 a 4 meses) do que para ser técnico em mecânica (1 a 3 anos)

Alardeada pela campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) como "o maior programa profissionalizante do mundo", a iniciativa federal para formar técnicos e melhorar a qualificação do trabalhador vem sendo impulsionada por inscrições em cursos rápidos, como de vendedor, recepcionista e manicure.

Segundo levantamento inédito do Ministério da Educação, feito a pedido da Folha, o programa tem atraído menos interessados em cursos verdadeiramente técnicos, como de enfermagem, eletrotécnica e mecânica.
Quando lançou o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), em 2011, o governo já previa uma maior procura pelos cursos que duram de dois a quatro meses. Na campanha, porém, Dilma tem ignorado essa distinção ao entoar dados da iniciativa ao eleitor.
"No que se refere à educação considero que tivemos um grande salto. Vou citar o Pronatec: 8 milhões de jovens e adultos com acesso ao ensino técnico", afirmou durante o primeiro debate entre candidatos à Presidência, promovido pela Band.

Os cursos mais céleres e simples, chamados de Formação Inicial e Continuada, são o que garantirão a Dilma Rousseff alcançar neste ano a meta de 8 milhões de matrículas no Pronatec.

A formação técnica, que é o principal objetivo do programa, representou apenas 28% das matrículas registrada até o final de julho.

Os cursos técnicos têm duração mínima de um ano e há casos que chegam a três anos. Podem ser feitos enquanto o jovem cursa o ensino médio ou após formar-se na escola.

São cursos práticos voltados para o mercado de trabalho e dão direito a um diploma em sua conclusão.

Já os de formação inicial e continuada, com duração média de três meses, têm exigência de escolaridade mais baixa e servem para dar noções básicas sobre uma função ou aperfeiçoar o conhecimento do aluno que deseja reingressar no mercado de trabalho. Não há diploma, apenas um certificado de participação.

No total, os dez cursos de Formação Inicial e Continuada mais procurados receberam 890 mil matrículas. Já os dez cursos técnicos mais populares tiveram 390 mil.

Dilma sempre fez questão de pontuar que o mote do Pronatec era a formação de técnicos capazes de suprir a demanda das empresas e das indústrias brasileiras.

"Com o Pronatec, queremos que o país, cada vez mais, tenha uma geração de jovens com formação técnica de qualidade, capazes de melhorar nossos produtos e serviços", disse em outubro de 2012 no programa de rádio "Café com a Presidenta".

Desde o ano passado, o governo tem intensificado a propaganda do Pronatec. Em 2013, ele foi de longe a iniciativa com a qual o Ministério da Educação mais gastou em publicidade --R$ 15,7 milhões, mais da metade do aplicado pela pasta em propaganda.
Que loucura isso! mais de quinze milhões gastos com propaganda. Quantas escolas poderiam ser construídas..Quantos postos de saúde..? Cadê a gestão dos recursos públicos...E fica assim..Cadê nosso TCU?

" Abraço de Conchinha "

Quanto você pagaria por um abraço de conchinha com George Clooney ou Scarlett Johansson?

Uma ex-personal trainer do Oregon cobra 60 dólares por hora



Renata Honorato - Divulgação/Cuddle Up To Me

Samantha Hess e um cliente durante uma sessão de abraço de conchinha em Portland, nos Estados Unidos (Divulgação/Cuddle Up To Me/VEJA)

Abraçar alguém é, à primeira vista, um ato de generosidade. Nos Estados Unidos, porém, há gente que faz disso um negócio. É o caso do site Cuddle Up To Me, de Samantha Hess, uma ex-personal trainer de 30 anos. Depois de sofrer com o fim de um namoro e assistir a um vídeo de um comediante vendendo abraços em uma praça, ela decidiu transformar calor humano em dinheiro. Deu certo. Ao oferecer "pacotes" de uma hora de abraço de conchinha (cuddle, em inglês, aliás) por 60 dólares, ela fatura mais de 7.000 dólares por mês — isso inclui abraços, treinamento para futuros "profissionais" e a venda de exemplares de seu livro. "É como manter um contato próximo com uma pessoa sem estar saindo com ela", diz.

Samantha afirma que a venda de abraço não tem conotação sexual. "Se alguém procura sexo ao contratar o Cuddle Up To Me, certamente ficará desapontado." Para evitar problemas, ela disponibiliza em seu site as "políticas de uso", normas que devem ser seguidas antes de fechar o negócio. Isso inclui regras de higiene. Samantha sempre pede aos seus clientes que escovem os dentes, tomem banho, lavem o cabelo, usem perfumes leves e, é claro, vistam roupas limpas antes de encontrá-la ou recebê-la em casa.

Os potenciais clientes também passam por uma entrevista prévia, por e-mail, e por uma pequena investigação, pela qual Samantha tenta afastar criminosos, por exemplo. Em seguida, ela marca uma conversa pessoalmente em algum lugar público. Se ambos se sentirem confortáveis, é marcado horário e local do grande dia. O abraço de conchinha pode acontecer na casa do cliente ou em um parque, por exemplo. Por ora, Samantha atende a clientela de Portland, cidade de Oregon, mas é possível fechar acordos especiais em outros Estados americanos.

Talvez Samantha não tivesse clientes entre brasileiros, pródigos na distribuição de beijos e abraços. Entre os americanos, contudo, os abraços são garantia de o que cliente é amado e aceito, aposta a "abraçadora". É comum, por exemplo, que deficientes físicos ou pessoas muito tímidas procurem seus serviços. "Eu gosto de chamar o meu serviço de massagem para a mente. Meu objetivo é fazer com que meus clientes se sintam parte da minha família e renovados após uma sessão", diz. Em tese, a terapia de Samantha não é reconhecida pela comunidade médica.

Outro americano, Steve Maher, de Los Angeles, oferece serviço similar: com ele, o abraço é premium. Ele é dono do site The Ecstatic Embrace, que cobra 120 dólares por uma sessão de 90 minutos. Do outro lado do planeta, no Japão, existem os chamados kyabakuras, estabelecimentos em que os clientes tomam drinks enquanto são mimados por garotas bonitas — relações sexuais são proibidas. Algumas histórias já chegaram ao cinema, com sexo. Em As Sessões, do diretor Ben Lewin, a personagem Cheryl Cohen Greene é uma "sexual surrogate", alguém que faz sexo com seus pacientes sem envolvimento romântico. O filme é inspirado em uma história real.

Na entrevista a seguir, Samantha Hess fala ao site de VEJA sobre o negócio do abraço de conchinha:

Vender abraços é uma atividade inusitada. Como descobriu esse nicho e decidiu transformar o abraço em negócio? Isso faz parte da minha personalidade. É uma maneira de manter contato físico com alguém mesmo sem me envolver emocionalmente com essa pessoa. Olhei ao meu redor, percebi que tinha muitos amigos, mas ainda assim sentia falta de alguma coisa. Um dia, vi um vídeo de um comediante que oferecia abraços por dois dólares em uma feira. Foi aí que pensei: "Eu posso fazer isso!"

E as pessoas encaram com naturalidade a sua profissão? Algumas pessoas ficam curiosas sobre o meu trabalho, mas a maioria delas encara a ideia como um serviço real e disponível a todos. Entre meus clientes estão jovens, velhos, talentosos, altos, magros, baixos. Eles são operários, prestadores de serviços, CEOs, desempregados, homens e mulheres, gente de todo o tipo. Os mais jovens têm aproximadamente 20 anos e os mais velhos, 70 anos.

O que eles buscam ao contratá-la? Todos têm a necessidade de se sentir amados e aceitos. Eu ofereço um serviço totalmente voltado ao cliente, então eles não têm que se preocupar comigo. É diferente de um relacionamento, porque às vezes as pessoas não estão preparadas para sair com alguém. Os clientes só precisam aproveitar o momento (risos).

Quantas pessoas já contrataram seus serviços desde junho de 2013, quando você começou a trabalhar com isso? Já atendi centenas de pessoas.

Você ganha dinheiro suficiente para levar a vida somente abraçando pessoas? Essa é a minha única atividade e é com esse trabalho que levo a vida. Em abril, lancei um livro, Touch: The Power of Human Connection (Toque: o poder da conexão humana), que também rende alguma receita.

Divulgação/VEJALivro 'Touch: The Power of Human Connection'
Sobre o que fala o livro? Decidi escrever o livro porque recebo milhares de e-mails todas as semanas, especialmente quando apareço nas publicações aqui nos Estados Unidos. Muitas pessoas queriam saber mais sobre a minha história e por que decidi trabalhar com isso. Meu livro aborda um pouco da psicologia por trás do toque, casos de pessoas que contrataram meus serviços, além de 19 dicas de posições que tornam o abraço mais confortável.

Algum cliente já achou que você fosse uma garota de programa? Há algumas regras de segurança que devem ser seguidas. Antes de fechar um contrato, a pessoa entra em contato comigo e trocamos alguns e-mails. No meu site há regras que qualquer pessoa pode baixar e ler. Depois, agendamos um encontro em um lugar público para que eu possa entender por que a pessoa deseja contratar meus serviços. A ideia é identificar qualquer sinal de alerta.

Se a pessoa estiver em busca de serviços sexuais, ela certamente não ficará contente com a minha proposta. Se tudo der certo, o contrato é assinado e então eu peço uma cópia de um documento de identificação. Todas as informações, além do local do encontro para a sessão, são encaminhadas para uma terceira pessoa. Trata-se de uma forma de zelar pela minha segurança.

Você toma algum cuidado adicional? Fiz aulas de defesa pessoal. Também carrego comigo uma arma não letal.

Você mora em Portland. Existem planos de oferecer seus serviços em outras cidades? Abrimos uma loja física em Portland para que as pessoas conheçam o serviço. Nesse espaço oferecemos um programa de treinamento de 40 horas para interessados em aprender as técnicas do abraço. A ideia é criar centros de treinamento em diferentes países e abrir "lojas" em todo o mundo.

O que é ensinado nesse curso? Você é a professora? Eu sou a professora. Ensinamos técnicas de como tocar outra pessoa e quais as melhores posições para o abraço. Também temos aulas de marketing, desenvolvimento web e todo e qualquer assunto relacionado ao negócio.

" Entardecer de Domingo "



Em algum momento, em geral à tardinha, o domingo nos crava os dentes, sem morder…

Os domingos tem dentes. A expressão é da jornalista Eliane Brum em seu último e tocante livro Meus desacontecimentos (Ed. Leya).
 
O significado dessas palavras qualquer um é capaz de sentir na própria carne. Há domingos que até passam suaves, despercebidos, encontram-nos distraídos.
 
Mas em geral, em algum momento, principalmente à tardinha, o sétimo dia nos crava os dentes, sem morder, é só um aperto quase indolor. Acusamos o golpe discretamente, disfarçamos a instalação dessa farpa de medo que nos cutuca a cada passo, até adormecer.

Talvez sintamos assim porque certamente o fim de semana, mesmo que tenha sido maravilhoso, sempre deixa a desejar. Quem sabe porque temos medo das segundas feiras? Quando conseguimos desengatar da locomotiva dos deveres, duvidamos da nossa capacidade de reingressar nos trilhos. Por sorte, de perto o trabalho volta a parecer factível.

A engrenagem cotidiana nos embala numa fieira de dias que vamos vivendo sem pensar, adiará as esperanças de felicidade, que ficam adormecidas até a noite de sexta. O entardecer dos dias úteis desperta a expectativa de prazeres, da merecida recompensa.

A partir desse momento queremos apenas tudo: ficar junto com a família e os amigos, mas evitar compromissos sociais; amar e ser amados, mas não ter que pensar no outro o tempo todo;
 
 empanturrar-nos de comer, beber, passear, dançar, mas sem ressacas; dormir bastante e perder tempo, mas ganhar cultura; relaxar, mas organizar nossas coisas pessoais; jogar conversa fora mas ter diálogos transcendentes.
 
 Expectativas contraditórias entre si, conflitantes. No fim, a realização de alguns desses desejos acaba sendo pífia frente ao ressentimento pelos que foram preteridos. Um tempo grávido de promessas é condenado ao aborto dos ideais.

A forma como organizamos nosso ócio diz muito de nós, pois é o tempo que liberamos para realizar nossos desejos. Por isso, Eliane Brum tornou-se uma observadora de domingos: Acredito que não se pode conhecer uma pessoa, um grupo, uma aldeia ou um país sem habitá-lo por ao menos um domingo.

Na melancolia dominical, sentimento quase universal, fica provado que tempo livre é como mente vazia, oficina do diabo.
 
 As exigências dos desejos podem ser mais inclementes do que as do trabalho. A síntese deles costuma chamar-se de felicidade. Se por ela entendermos a saciedade plena estaremos condenados ao seu antônimo, a insatisfação, ou à sua ausência, a tristeza.

Nos sábados e domingos não temos obrigações: dia de lembrar que não há prescrição ou cota obrigatória de prazeres a serem vividos e ostentados. Felicidade, a possível, é discreta e nunca completa.
 

" Maravilha "

L. F. VERISSIMO


Pode-se parafrasear Winston Churchill e dizer da democracia o mesmo que se diz da velhice, que por mais lamentável que seja é melhor do que sua alternativa. A única alternativa para a velhice é a morte. Já as alternativas para a democracia são várias, uma pior do que a outra. É bom lembrá-las sempre, principalmente no horário político, quando sua irritação com a propaganda que atrasa a novela pode levá-lo a preferir outra coisa.

Resista. Engula sua impaciência com a retórica eleitoral que você sabe que é mentirosa, com o debate vazio, com os boatos maldosos e os golpes baixos, com o desfile de candidatos que variam do patético ao ridículo... Diante de tudo isso, em vez de “que chateação” pense “que maravilha!”. É a democracia em ação, com seus grotescos e tudo. Saboreie, saboreie.

O processo, incrivelmente, se autodepura, sobrevive aos seus absurdos e dá certo. Ou dá errado, mas pelo menos de erro em erro vamos ganhando a prática. Mesmo o que impacienta é aproveitável, e votos inconsequentes acabam consequentes. O Tiririca não sei, mas o Romário não deu um bom deputado? Vocações políticas às vezes aparecem em quem menos se espera.

E é melhor o cara poder dizer a bobagem que quiser na TV do que viver num país em que é obrigado a cuidar o que diz. Melhor ele pedir voto porque é torcedor do Flamengo ou bom filho do que ter sua perspectiva de vida decidida numa ordem do dia de quartel. Melhor você ser manipulado por marqueteiros políticos, com direito a desacreditá-los, do que pela propaganda oficial e incontestável de um poder ditatorial. Hoje os candidatos à Presidência medem suas ideias e diferenças livremente, e todos são iguais perante o William Bonner.

Certo, às vezes as alternativas para a democracia parecem tentadoras. Ah, bons tempos em que o colégio eleitoral era minimalista: tinha um eleitor só. O general na Presidência escolhia o general que o sucederia e ninguém pedia o nosso palpite. Era um processo rápido a ascético que não sujava as ruas. A escolha do poder nas monarquias absolutas também é simples e sumária, e o eleitor do rei também é um só, Deus, que também não se interessa pela nossa opinião.

Ou podemos nos imaginar na Roma de Cícero, governados por uma casta de nobres e filósofos, sem nenhuma obrigação cívica salvo a de aplaudi-los no fórum, só cuidando para não parecer ironia.

A democracia é melhor. Mesmo que, como no caso do Brasil das alianças esquisitas, os partidos coligados em disputa lembrem uma salada mista e ninguém saiba ao certo quem representa o quê. E onde, com o poder econômico mandando e desmandando, a atividade política termine parecendo apenas uma pantomima. Não importa, não deixa de ser – comparada com o que já foi – uma maravilha.

" Ruminações e o Bode Expiatório "

                                                    CÍNTIA MOSCOVICH


Uma das notícias mais incríveis da Folha de S.Paulo na semana que passou foi a de que artistas árabes convidados para a 31ª Bienal de São Paulo planejavam um boicote em repúdio ao patrocínio de R$ 90 mil concedido ao evento pelo consulado de Israel na capital paulista – montante justificado pelo convite feito a três artistas israelenses.

Segundo o jornal, cerca de 40 artistas árabes e simpatizantes exigiram que o logotipo do consulado fosse retirado do material promocional, que os três artistas israelenses fossem, digamos, desconvidados e que os 90 mil fossem devolvidos – tudo porque se recusavam a participar de um evento apoiado por um país que acusam de “genocida” e que desejam apagar do mapa. A Bienal, que tem orçamento na casa dos R$ 24 milhões, começa nesta semana, mas, até o momento em que escrevo, a dita ameaça não tinha sido concretizada.

A notícia empilha sandices. A ameaça de boicote por parte de artistas e escritores a uma bienal por causa de um conflito no Oriente Médio patrola a crença de que a arte é capaz de transcender as fronteiras e as miudezas, sanar o ódio e promover a concórdia. Impossível que pessoas que lidem com criatividade caiam na esparrela da chantagem emocional, a mesma que mobiliza a opinião pública contra os judeus, bode expiatório de praxe. O antissemitismo ganhou fermento e só cresce.

O segundo ponto que chama a atenção é postura do cônsul israelense, Yoel Barnea, que, ao se manifestar sobre o assunto, disse que as queixas contra o terrorismo são muitas, mas que nem por isso deixaria de garantir o patrocínio – ninguém esperava dele postura diferente daquela ditada pela vocação democrática que norteia o povo judeu.

Um terceiro e grave aspecto é a importação para o Brasil de um conflito que só faz reavivar as mal extintas brasas do ódio milenar e arquetípico contra os judeus. Logo nesse país solar, onde imigrantes de várias nacionalidades tiveram chance de prosperidade, logo aqui, onde nos orgulhamos do convívio pacífico entre religiões, logo aqui vemos reacender a chama do mal que julgávamos extinto.

O conflito na Faixa de Gaza tem servido para que antissemitas encontrem via livre para sua expressão, seguindo a trilha deixada por uma boiada de suposta “gente do bem” mas que não passa de ruminantes de um mesmo pasto preconceituoso, pouquíssimo cultivado e que mais e mais se distancia da paz.

" O macaquinho "



Atorcedora que chamou o goleiro de macaco vai reaparecer pedindo desculpas. Manifestações como a dela não resultam, como alguns pretendem, de convicção sustentada por pretensa orientação ideológica, política, religiosa ou antropológica de séculos passados. Claro que o racismo tem substância teórica e prática, mas não nesse caso.

Nos gritos da moça, aconteceu o contrário. O que houve ali foi uma manifestação de ingenuidade, desinformação, imaturidade, tudo combinado com a escassez de recursos para ter a compreensão do que significa tentar desqualificar um negro num país traumatizado por três séculos e meio de escravidão.

Então, não se diga que a moça é uma racista convicta. É apenas uma torcedora sob o comando de impulsos. É uma das tantas jovens embrutecidas por bobagens potencializadas pela redes sociais, que desorientam a puberdade hoje prolongada para além dos 30 anos.

Não há no gesto da moça nada mais pretensioso ou elaborado. Não é alguém que tenha avançado até uma enganosa compreensão do mundo, para finalmente se ver como um ser superior. Ou não andaria por aí, carregando sob o braço, como mostram as fotos na internet, um macaquinho de pelúcia com a camiseta do Internacional.

Uma moça infantilizada “denunciou” (para se exibir aos telões?) um homem negro que seria um macaco. Um macaco que defendia tudo o que os jogadores do Grêmio chutavam contra o seu gol. E que estava vencendo o jogo.

Não são poucos os perdedores que andam vendo macacos. É grande o desconforto com o aumento de negros médicos, engenheiros, que circulam em carros do ano, negros do Prouni e até os negros que subsistem com o Bolsa Família. Sem falar nos que decidiram andar de avião.

A segunda coisa que quero dizer é sobre uma aventada semelhança entre as expressões e os gestos da moça e as que se dirigem aos árbitros, como filhos da p.

Fdp é algo tão desqualificador? Uma prostituta deixa de ser pessoa ou mulher? A grande Rose Marie Muraro exaltou, há mais de meio século, a dignidade das prostitutas – não da atividade, na maioria das vezes explorada com violência, mas das mulheres que dela dependem.

Há alguns anos, fiz uma reportagem sobre ex-prostitutas. Ouvi uma moça criada por uma delas, a professora Jara Fontoura da Silveira. Quem acha que desqualifica alguém definindo-a como prostituta, que fale com a professora Jara, doutora em Educação Ambiental, na Universidade Católica de Pelotas.

Mas não há como negar que existe, sim, tentativa de desqualificação num ataque, com ofensa racista, a um negro que alguém considera “incômodo”.

Qualquer estudioso da escravidão nos diz que o processo de anulação do negro passava pela coisificação e pela animalização. Um dia, a guria da Geral do Grêmio ficará sabendo disso. Se conseguir largar o macaquinho de pelúcia.

É estranho que, na foto em que grita macaco, com a boca aberta, a torcedora tenha ficado com a expressão da famosa figura do Grito, da tela de Munch. Como se fosse assombrada pelo próprio assombro.

" Na verdade,a gente reinventa o passado "

MIA COUTO NA UFRGS



ESCRITOR MOÇAMBICANO conduzirá aula magna a partir das 10h de hoje, com o título Guardar memórias, contar histórias e semear o futuro
Acostumado a brincar com as palavras em sua literatura, o aclamado escritor moçambicano Mia Couto também subverte o tempo.

Na aula magna que proferirá a partir das 10h de hoje, no Salão de Atos da UFRGS, uma das principais vozes do continente africano na atualidade vai propor uma inversão na relação entre passado e futuro para convidar o público a refletir sobre o presente.

– Há uma espécie de relação dupla: para haver passado tem de haver futuro. Na verdade, a gente reinventa o passado, o passado não é algo em que possamos confiar tanto assim. É sempre fabricado, e fabricado em função de uma esperança, de uma crença. E se não há crença, como me parece ser o caso mais ou menos universal hoje, vivemos numa espécie de tempo plano, um presente sem tempo – disse o escritor ontem à tarde em Porto Alegre, em entrevista a ZH.

Partindo desse pressuposto, o moçambicano conduzirá a palestra Guardar memórias, contar histórias e semear o futuro, em uma homenagem do Fronteiras do Pensamento à universidade, em comemoração aos seus 80 anos.

CONTRA A DITADURA DO INSTANTÂNEO

Costurando causos com seu reconhecido talento de narrador, Mia Couto levantará questionamentos sobre o modo de vida das sociedades contemporâneas.


– O que quero dizer é que o tempo presente que hoje nos impõem é um tempo vazado de história. É um tempo que vive nesta ditadura do imediato, do instantâneo – antecipou.

Apaixonado pelo Brasil, o moçambicano é inclusive sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, e por aqui é conhecido por obras como Terra Sonâmbula, O Outro Pé da Sereia e A Varanda do Frangipani.

Vencedor dos prestigiados prêmios Neustadt e Camões no ano passado, o escritor se consagrou com seu modo peculiar de narrar histórias, valendo-se de uma linguagem poética, recheada com palavras inventadas, para retratar a realidade áspera de seu povo.

Quem for assisti-lo poderá testemunhar como suas palavras são também uma forma de resistência.


leticia.duarte@zerohora.com.br

LETÍCIA DUARTE - FIQUE POR DENTRO

O que: aula magna de Mia Couto Onde: Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110 - Campus Centro) Quando: hoje, às 10h Entrada: gratuita, por ordem de chegada e conforme a capacidade Na internet: será possível acompanhar a palestra ao vivo pelo link ufrgs.br/multimidia/ufrgstv.html Informações: pelo telefone (51) 3308-3034

" Carisma e carismáticos : que energia é essa ? "


Leonardo Boff*
Nestes tempos de campanha eleitoral, surgem figuras de todo tipo. Mas poucos são aqueles que irradiam energia contagiante, suscitam um novo imaginário e movem as massas. Esses são os portadores de carisma.

Carisma, carma, Crishna, Cristo, crisma e caritas possuem a mesma raiz sâncrita kri ou kir. Ela significa a energia cósmica que tudo acrisola e vitaliza, tudo penetra e rejuvenesce, força que faz atrair e fascinar os espíritos. A pessoa não possui um carisma. É possuída por ele. A pessoa, sem mérito pessoal nenhum, vê-se tomada por uma força que irradia sobre outras, fazendo que fiquem estupefactas; se estão falando, se calam, se estão se entretendo com alguma coisa, param para prestar atenção à pessoa carismática.

O carisma é algo surpreendente. Está nos seres humanos, mas não vem deles. Vem de algo mais alto e superior. Nietzsche conta que passeando pelos Alpes, era tomado por uma força que o fazia escrever. Era outro que se servia dele. Tomava seu canhenho e nele escreveu o melhor de suas intuições.

Os antropólogos introduziram um palavra tirada da cultura de Melanésia: o mana. A personalidade-mana irradia um poder extraordinário e irresistível que, sem violência, se impõe aos demais. Atrái, entusiasma, fascina, arrasta. É o equivalente de carisma na nossa tradição ocidental.

Quem são os carismáticos? No fundo, todos. A ninguém é negada essa força “cósmica”de presença e de atração. Todos carregamos algo das estrelas de onde viemos. A vida de cada um é chamada para brilhar, no dizer de um cantor. É carismática de uma forma ou de outra. José Marti, pensador cubano dos mais argutos da América Latina, bem dizia:”Há seres humanos que são como as estrelas: geram sua própria luz, enquanto outros refletem o brilho que recebem delas”. Alguns são Sol, outros, Lua. Ninguém está fora da luz, própria, ou refletida. Em fim, estamos todos na luz para brilhar.

Mas há carismáticos e carismáticos. Há alguns nos quais esta força de irradiação implode e explode. É como uma luz que se acende na noite. Atrai os olhares de todos.

Pode-se fazer desfilar todos os bispos e cardeais diante dos fiéis reunidos. Pode haver figuras impressionantes em inteligência, capacidde de administração, zelo apostólico. Mas o olhar de todos se fixa sobre Dom Helder Câmara enquanto estava ainda entre nós. Porque era portador eminente de carisma. A figura é irrisória. Parece o servo sofredor sem beleza e ornamento. Mas dele saía uma força de ternura unida ao vigor da palavra que se impunha suavemente a todos.

Muitos podem falar. E há bons oradores que atraem a atenção. Mas deixem o bispo emérito de São Felix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, falar. A voz é rouca e às vezes quase desaparece. Mas nela há tanta força e tanto convencimento que as pessoas ficam boquiabertas. É a irrupção do carisma que faz de um bispo frágil e fraco parecer um gigante. E hoje quase não podendo falar por causa de forte Parkson, sua escrita ou seus poemas tem a força do fogo. É um exímio poeta.

Há políticos hábeis e grandes administradores. A maioria maneja o verbo com maestria. Mas façam o Lula subir à tribuna, diante das multidões. Começa baixinho, assume um tom narrativo, vai buscando a trilha melhor para a comunicação. E lentamente adquire força, as conexões surpreendentes irrompem, a argumentação ganha seu travejamento adequado, o volume de voz alcança altura, os olhos se incendeiam, os gestos ondulam a fala, num momento o corpo inteiro é comunicação, argumentação e comunhão com a multidão que de barulhenta passa a silenciosa e de silenciosa a petrificada para, num momento culminante, irromper em gritos e aplausos de entusiasmo. É o carisma fazendo sua irrupção. Pouco importa a opinião que pudermos fazer de seus 8 anos de governo. Nele não se pode negar a presença do carisma.

Não sem razão Max Weber, o grande estudioso do poder carismático, chamou-o de estado nascente. O carisma como que faz nascer, cada vez que irrompe, a criação do mundo na pessoa carismática, ou personalidade-mana. A função dos carismáticos é a de serem parteiros do carisma latente dentro das pessoas. Sua missão não é dominá-los com seu brilho, nem seduzi-los para que os sigam cegamente. Mas despertá-los da letargia do cotidiano. E, despertos, descobrirem que o cotidiano em sua platitude guarda segredos, novidades, energias ocultas que sempre podem acordar e conferir um novo sentido e brilho à vida, à nossa curta passagem por esse universo.

Que cada qual descubra a estrela que deixou sua luz e seu rastro dentro dele. E se for fiel à luz, brilhará e outros o perceberão com entusiasmo.
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* Teólogo. Filósofo. Escreveu Meditação da luz, Vozes 2010.
Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/2014/08/31/carisma-e-carismaticos-que-energia-e-essa/

" Afuuunnnnnn dannnnnnnn do "

Paulo Brossard: Afundando
- Zero Hora (RS)

Tantas coisas estranhas têm ocorrido no ar e em terra que me lembrei de sentença de Aporelly, se não estou enganado, segundo a qual, além dos aviões de carreira havia mais coisas no ar, e com os extraordinários progressos da aviação, não há dia em que não suceda alguma novidade a despeito da minuciosa disciplina existente.

Como tenho reiterado, não me parece louvável a reeleição para cargos do Executivo. Singelo exemplo é a disparidade de meios, enquanto uns precisam de transporte de contribuições privadas, a senhora presidente usa e abusa do avião presidencial com fartas comitivas, valendo-se de recursos públicos para sua campanha de reeleição, como fez no último dia 22 em Porto Alegre.

O curioso é que a ânsia da reeleição se opere num momento em que a situação geral espelha-se no conjunto de realidades negativas, de resto, amplamente divulgadas. Uma refere-se ao recuo de 0,6% do PIB brasileiro no segundo trimestre, comparado aos três primeiros meses do ano, fato que os competentes avaliam como cenário recessivo; outrossim, noticia a imprensa que os investimentos em máquinas para investimentos tiveram retração de 5,3%. É imperioso reconhecer que a situação não é lisonjeira.

O chocante é que o ardor da reeleição seja comandado pela senhora presidente da República. Ora, a euforia oficial é paradoxal, pois a economia da nação está encalhada e o crescimento do PIB no ano passado foi inferior a 1%, mas a despeito dessas evidências, a senhora presidente, que não tomou medida já não digo eficaz, mas qualquer medida que se saiba, para alterar esta realidade no ano em curso, a única coisa que ela cogita é sua continuidade na Presidência. Para quê? O Brasil afundado e a senhora presidente dir-se-ia encantada com o mau sucesso que deseja inalterado. Confesso-me perplexo diante desse procedimento, postulando a prorrogação de seu quatriênio e sem dizer para quê, o silêncio implicaria a continuidade da estagnação.

Se não estou em erro, o governo falou na recuperação da confiança da sociedade. Quem diz recuperação parte da perda de algo, pois ninguém recupera o que não foi perdido. O que não foi perdido se conserva, não se recupera. Quer dizer, de momento a momento, os ilogismos tomam conta do panorama.

*Jurista, ministro aposentado do STF

" Sob a revolução dos bichos "

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Artigo ZH


PERCIVAL PUGGINA
Escritor
puggina@puggina.org








Boa parte da fábula narrada por George Orwell em A Revolução dos Bichos transcorre durante o governo exercido por Bola de Neve e Napoleão, os dois porcos que comandam a revolução e assumem a direção de uma granja. Junto com eles, ascende um terceiro porco dotado de extraordinária força de persuasão, o Garganta, encarregado da propaganda.

Nos últimos dias, dois fatos lançaram luzes fortíssimas sobre aspectos da realidade nacional, tornando impossível não extrair deles as devidas conclusões. São fatos que fazem lembrar o livro de Orwell e pensar se não estamos, há bom tempo, diga-se de passagem, sob uma revolução dos bichos, colocando a nação sobre quatro patas.
No sábado, dia 23, à noite, no sempre interessante programa Painel, da Globo News, William Waack recebeu três economistas para uma conversa sobre o sistema tributário nacional. Entre eles, o meu amigo Paulo Rabello de Castro, sempre brilhante, membro do Pensar+ e líder do Movimento Brasil Eficiente, organismo “que trabalha com propostas concretas para a simplificação fiscal e a gestão eficiente das despesas do governo no Brasil”. Lá pelas tantas, Paulo Rabello de Castro disparou: “Sabe por que o programa fiscal denominado ‘Simples’ tem esse nome? Porque o outro sistema é o Complicado”. Ou seja, o governo cria um programa simples porque ele sabe que adota um outro cuja complexidade onera o custo Brasil. E ninguém faz coisa alguma para simplificar o complicado! Bola de Neve resolveria melhor.



No domingo pela manhã, cai no meu Facebook texto do jornalista Alison Maia relatando conversa que manteve, em banco de delegacia, com um jovem de 14 anos detido por porte de arma. O que ouviu é de arrepiar até pelo de porco. Criado sem pai, por mãe problemática, em duas ocasiões procurou e encontrou emprego para poder se sustentar e estudar. Em ambas, seu patrão foi processado por contratar menor e ele teve que ir ganhar a vida nas ruas vendendo droga. O relato do jovem termina assim: “Então, seu Alison, guarde seus conselhos para esses safados que vocês votam e acham que menor não pode trabalhar, mas pode roubar, matar e traficar”.






Não sei de qual espírito de porco saiu essa ideia de que o trabalho pode fazer mal a um adolescente e, por isso, o impede de usar parte do dia para trabalhar aprendendo algum ofício. Aprender a trabalhar também é se educar. Toda experiência humana, com infindáveis exemplos, ensina que trabalho adequado à idade, por tempo limitado, em condições de segurança, só faz bem a quem o exerce.



 
É preciso diminuir a quota de Gargantas nos poderes da República.

" A Política Adjetivada "

Editorial ZH


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Além de alterar a bipolarização dos últimos 20 anos, o atual quadro eleitoral da disputa pela Presidência da República introduziu no vocabulário nacional um embate entre duas expressões: a nova política e a velha política.
 
 Trata-se, evidentemente de um jogo de palavras que não condiz com a realidade. Se quisermos adjetivar a política que os brasileiros desejam e demonstraram inequivocamente nas manifestações de rua do ano passado, as palavras adequadas devem ser decência, honestidade e transparência.
 
 Isso não é novo, nem velho. É o que os brasileiros exigem de seus governantes e representantes políticos.

O que ficou evidenciado particularmente a partir dos protestos de junho do ano passado é que os políticos, de maneira geral, comprometeram-se com a mudança defendida nas ruas, mas resistem em adotá-la na prática.
 
 O sinal mais claro da falta de vontade de atender aos anseios populares é a pouca ou nenhuma disposição de levar adiante uma proposta consistente de reforma política.
 
Falta empenho até mesmo para aprovar uma questão essencial para a moralização da política, como a proposta de entidades civis, incluindo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de veto a contribuições de empresas privadas para campanhas.
 
 Doações na expectativa de posterior retorno sob a forma de incentivos fiscais, facilidades em licitações e cargos públicos constituem-se hoje na principal brecha para deformação de uso da máquina pública e para a corrupção.

Nas condições atuais, candidatos a cargos eletivos raramente conseguem escapar de acordos de conveniência para assegurar mais tempo no horário eleitoral obrigatório.
 
Além disso, dificilmente os eleitores asseguram maioria a quem elegem para cargos executivos. Em consequência, os eleitos são forçados a costurar acordos com líderes de partidos com os quais, muitas vezes, não têm qualquer afinidade, na tentativa de assegurar condições de aprovar suas propostas no Legislativo. Uma das consequências dessa prática é a transformação da política num mero balcão de negociações, no qual o toma lá dá cá nada tem a ver com os interesses dos eleitores.

São comportamentos como esses que o país não tem mais como tolerar. Independentemente de rótulos, o que os eleitores almejam é política e políticos compromissados com a ética e o bem comum, com a seriedade e a eficiência na gestão, além de transparência em todos os seus atos.