Para procuradores, petista é "comandante máximo" de esquema de desvios em estatal
Ex-presidente nega irregularidades e diz que força-tarefa e juiz Sérgio Moro são parciais
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi denunciado pela força-tarefa do Ministério Público Federal, baseada em Curitiba, no âmbito da Operação Lava Jato. O ex-mandatário é suspeito de ter recebido vantagens indevidas da empreiteira OAS por meio de um apartamento tríplex no Guarujá e de receber "dissimuladamente" 3,7 milhões da empresa provenientes supostamente de propinas.
Em entrevista coletiva para explicar o caso, o procurador Deltan Dallagnol usou diferentes metáforas e gráficos tipoPower Point para dizer que Lula não só se beneficiou no caso do apartamento do litoral como era o "comandante máximo" do esquema de corrupção da Petrobras, "verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa", para onde todos os vértices -que inclue a indicação de cargos-chave- apontavam. A trama foi responsável por bilhões de prejuízo na estatal, segundo a investigação.
Se o juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, acatar a acusação feita pela Procuradoria, Lula se tornará réu. Ele pode ser preso caso sejam considerado culpados ou se o magistrado entender que está tentando atrapalhar as investigações. Em julho, o ex-presidente se tornou réu pela primeira vez por consequência da Lava Jato, quando a Justiça Federal do Distrito Federal, responsável por caso correlato, acatou a denúncia por supostamente tentar obstruir as investigações.
Além de Lula e da sua mulher, Maria Letícia, os outros denunciados desta são o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, o arquiteto Paulo Gordilho e quatro ex-membros da OAS o ex-presidente José Adelmário Pinheiro (conhecido como Léo), o ex-executivo Agenor Franklin Magalhães Medeiros, além dos ex-funcionários Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.
Na época do indiciamento do casal Lula, a PF entendeu que eles receberam “vantagens ilícitas, por parte da OAS, em valores que alcançaram 2,4 milhões de reais referentes às obras de reforma no apartamento 164-A do Edifício Solaris, bem como no custeio de armazenamento de bens do casal”. Lula teria recebido vantagens junto à Granero Transportes LTDA, que armazenou os pertences do ex-presidente entre os anos de 2011 e 2016.
Conforme as investigações, o imóvel entregue a Lula foi adquirido pela OAS e recebeu benfeitorias da empreiteira, envolvida no esquema de corrupção da Petrobras. A polícia acusa o ex-presidente de ser o verdadeiro dono do imóvel. Na época do indiciamento, os advogados de Lula afirmaram que o inquérito da PF era uma peça de ficção, que se baseava apenas em “ilações e suposições”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário