sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

" Processo de Impeachment de Dilma "


Recessão eleva torcida por saída de Dilma, mas está longe de ser consenso

Impeachment seria fator novo para começar etapa de retomada, segundo alguns agentes

Nem todos veem diferença entre gestão Dilma e a do seu vice, Michel Temer



presidenta Dilma Rousseff chega ao final de 2015 dentro de um rocambolesco quadro recessivo que já se estende para 2016, e pode gerar dois anos seguidos de recessão, ou oito trimestres de PIB negativo. Diante da imagem do precipício aumenta a torcida pela saída da presidenta como um caminho para que o país ganhe fôlego. “O impeachment tem o potencial de melhorar muito as coisas, e os mercados reagirão muito bem. Porém, se não passar, é ficarmos empacados com Dilma por mais três anos. Será uma catástrofe”, avalia Gustavo Franco, ex-diretor do Banco Central de Fernando Henrique Cardoso.
A presidenta Dilma e o vice-presidente, Michel Temer, nesta quarta, 16 U. Marcelino/Reuters
Na semana passada, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) também tornou público seu apoio ao impeachment, depois de uma pesquisa com mais de 1.000 empresários e executivos associados à entidade. Mais de 90% apoiaram a ideia da FIESP anunciar seu posicionamento contrário à permanência de Dilma na presidência. A falta de credibilidade e confiança do Governo, segundo Paulo Skaf, presidente da federação, está inibindo investimentos. “O país está à deriva, e não há atitudes para solucionar os problemas”, disse Skaf, que calcula que a indústria paulista vai encolher 20% até o final do ano que vem.
No dia em que anunciaria sua demissão do Governo Dilma, no entanto, o agora ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que um impeachment pode retardar a recuperação econômica, segundo descreveu o jornal Folha de S.Paulo. Levy lembrou que a FIESP também apoiou medidas durante o primeiro Governo Dilma, que agora estão cobrando seu preço. De fato, o setor industrial foi um dos que mais se beneficiou das isenções de impostos promovidas desde 2009, primeiro com Lula e estendidas durante o Governo Dilma.
Se a necessidade de acertar um norte para sair buraco negro econômico é consenso entre os entrevistados ouvidos pelo EL PAÍS, a saída da presidenta como alternativa não é unânime.
“O que está em jogo não é se é importante ter ou não impeachment, mas aprovar medidas de ajuste fiscal para que a economia seja retomada”, diz Vagner Alves, economista da Franklin Templeton. Alves não vê grandes diferenças numa gestão de Dilma ou do vice-presidente, Michel Temer, seu sucessor natural num eventual impedimento. “O importante é tirar as dúvidas sobre o assunto e depois recompor a base para aprovar o mínimo necessário no Congresso.”
Em relatório a seus clientes, a consultoria Eurasia Group destacou na semana que passou que há um otimismo exagerado no mercado com um eventual Governo Temer. Mas a ação da Polícia Federal, de busca e apreensão de documentos em endereços de aliados de Eduardo Cunha, Renan Calheiros e do próprio Michel Temer, “é uma indicação que a Lava Jato vai complicar os próximos meses da presidência, seja Rousseff ou Temer” no Palácio do Planalto.
O economista Delfim Netto também se diz contra o impeachment, muito embora julgue o projeto preparado pelo PMDB para um eventual governo de Temer melhor que o atual modelo adotado pelo Governo Dilma. Para ele, no entanto, “um mau Governo não é razão para ser substituído antes da eleição”, sob risco de fragilizar as instituições no longo prazo.
A saída do labirinto político se faz urgente para que o Brasil fuja de um quadro que só foi visto no Brasil no biênio 1929/1930, quando houve a quebra da bolsa americana com a crise do café. Por ora, a perda está tendo uma evolução semelhante ao do período Collor, entre 1990 e 1993, ou o triênio de 1981 a 1983, mas que foram entremeados por algumas altas, explica Armando Castellar, coordenador de Economia Aplicada do IBRE/FGV e professor do Instituto de Economia da UFRJ. “Realmente, com dois anos seguidos de queda você teria de volta uma crise nos moldes dos anos 1929/ 1930”, observa Castellar.
Embora seja difícil comparar uma época em que o Brasil era uma sociedade rural com os dias atuais, a paralisia do país já não deixa dúvidas de que é preciso estancar a crise política para tirar a economia da UTI. “Esta é uma crise mais fácil de manejar no sentido de que você depende de uma resposta política. Quando houver uma sinalização clara, uma dinâmica mais favorável, a confiança vai voltar e as empresas vão voltar a investir, os consumidores a consumir, bancos dando crédito”, completa o professor da UFRJ. O Governo coloca suas fichas em Nelson Barbosa, que à frente da Fazenda faria um ajuste fiscal como pede o mercado, mas não tão radical, o que atenderia a um desejo dos movimentos de esquerda que apoiam a presidenta. A eficácia desta versão light de Levy será testada na volta do recesso do Congresso, em fevereiro.
Por ora, o que impera é o medo que anula a vontade de ousar, observa o empresário Alberto Hiar, dono da marca de roupas Cavalera. “Você tem medo de fazer novos projetos, e não tem crédito. O banco não libera dinheiro porque tem receio de não ser pago. A taxa de juro está alta e você não quer pegar pois teme que não vai conseguir. Sem vendas, você vai reduzindo custos”, comenta Hiar, que está devolvendo três das quase 40 lojas da rede, e demitiu cerca de 15% do seu pessoal. O empresário não é um entusiasta do impeachment do modo que está sendo conduzido atualmente, com uso de prerrogativas que abriram margem para a anulação da sessão conduzida na Câmara pelo presidente Eduardo Cunha. Mas pelos trâmites normais, “se comprovado que ela desrespeitou a lei de responsabilidade fiscal, sou a favor”, afirma. Para ele, é necessário que algo aconteça para tirar o país da paralisia.

" Crise Econômica Brasileira "

FONTE EL PAIS = Brasil 
www.elpais.com.br;

Dilma tenta reanimar economia com injeção de crédito de 83 bilhões

HELOÍSA MENDONÇA São Paulo

Pacote foi anunciado em reunião do Conselhão, em Brasília. Maior novidade foi proposta do uso do FGTS para garantir empréstimo consignado. Presidenta defendeu CPMF e reforma da Previdência

Dilma na reunião do Conselhão.


Em mais uma tentativa de reanimar a economia brasileira mergulhada em uma das piores recessões desde os anos 80, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, anunciou nesta quinta-feira um pacote para injetar 83 bilhões de reais em créditos na economia. Após um ano de medidas restritivas promovidas pelo ex-titular da pasta Joaquim Levy, a presidenta Dilma Rousseff –pressionada por seu partido, o PT, e pelo próprio ex-presidente Lula dá uma relativa guinada e volta apostar em estímulos à atividade econômica. O objetivo é claro: tentar evitar que o quadro econômico do país se complique ainda mais diante da previsão de uma recessão de mais de 3% do PIB e alta do desemprego.
Os créditos, oferecidos abaixo dos juros do mercado, serão destinados aos segmentos agrícola, exportador e de infraestrutura. A maior novidade é a autorização do uso do FGTS (Fundo de Garantia de Tempo de Serviço) para garantir empréstimos consignados (os vinculados aos salários). A medida, no entanto, depende de aprovação do Congresso.

Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, durante o "Conselhão".

LINHAS DE CRÉDITO ANUNCIADAS

  • 10 bilhões para pré-custeio da safra agrícola 2016/2017 via Banco do Brasil
  • 10 bilhões em recursos do FGTS para instituições financeiras contratarem novas operações de crédito imobiliário
  • 22 bilhões em recursos do FI-FGTS (fundo de investimento do FGTS) em crédito para operações de infraestrutura
  • 5 bilhões do BNDS para capital de giro para as micro e pequenas empresas
  • 4 bilhões em linhas de pré-embarque para exportações via BNDES
  • 15 bilhões do BNDES para refinanciamento das operações que estão vencendo do PSI e do Finame com taxas de mercado, sem subsídio
  • 17 bilhões (estimativa do governo) em recursos do FGTS para consignado ao setor privado com garantia da multa por demissão e 10% do saldo dos depósitos existentes
Diante da crise política e da desconfiança do mercado sobre a capacidade do Governo de Dilma Rousseff de cumprir o ajuste das contas públicas, Barbosa enviou um sinal de que não deseja abandonar a busca do equilíbrio fiscal. Propôs criar um limite legal para o crescimento do gasto público. O ministro sugeriu ainda o estabelecimento de uma "banda fiscal" para acomodar eventuais quedas de receitas como aconteceu no ano passado. Nesta quinta-feira, o Tesouro Nacional informou que as contas do governo registraram, em 2015, um rombo recorde de 114,98 bilhões, ou 1,94% do PIB.

A volta do Conselhão

O anúncio foi feito na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico (CDES), o "Conselhão", no Palácio do Planalto - a instância criada por Lula para debater planos para o país que não se reunia desde 2014. Em discurso ao final da reunião, Dilma voltou a defender a volta da CPMF ( o tributo de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), uma das apostas do Governo para reforçar a arrecadação. Disse que, diante da "excepcionalidade do momento" econômico do país, a taxa é "a melhor opção disponível" para superar a crise. A presidenta seguiu Barbosa e também voltou a  advogar por uma reforma da Previdência, um tema indigesto para base governista que o ministro pretende encaminhar ao Congresso ainda neste semestre.
A presidenta ressaltou a importância do Conselhão, mas deixou claro que a palavra final sobre as medidas cabe sempre ao Congresso, onde ela precisa de apoio para aprovar a CPMF e a nova regra do FGTS, entre outras medidas. É aí que a presidenta entra num terreno perigoso: na próxima semana, após o recesso, o Legislativo retoma suas funções, a começar pelo desenrolar da novela do pedido de impeachment lançado em dezembro. Ainda que tenha encerrado 2015 relativamente fortalecida neste front, a volta dos choques na sua própria base aliada tem potencial para aprofundar a crise, já que, em parte, a retração econômica se alimenta das incertezas políticas que derrubam as expectativas de recuperação.
A reunião do Conselhão nesta quinta também teve a função simbólica de demonstrar que a presidenta, com baixíssima taxa de popularidade e que enfrenta resistência entre grupos empresariais poderosos como a FIESP, ainda tem capital político para reunir 27 integrantes da sociedade civil, 20 representantes dos trabalhadores e 45 empresários de peso em Brasília. Estava entre eles o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, à frente do segundo maior banco privado do Brasil, que foi o primeiro representante dos empresários a falar e enviar uma mensagem de convergência: "Cada um de nos é protagonista do que o país é hoje. Todos somos perdedores, pois na recessão todo mundo perde. Cada um de nós tem uma pauta própria de como sair do imobilismo. Dentro das pautas de cada um, haverá intenções para uma pauta de convergências".

" Voto de Riqueza "

MARCOS PIANGERS



Meu carro favorito foi, com certeza, aquele Clio vermelho duas portas que comprei assim que minha primeira filha nasceu. Paguei em 48 vezes e lembro do dia em que atrasei uma prestação e ela quase dobrou de valor. Foi um dia triste. Mas o carro era maravilhoso, sem vidro elétrico, sem trava, sem alarme. Não tinha ar-condicionado e, no verão, eu dava graças a Deus porque a borracha da porta estava estragada e entrava um ventinho pela fresta. Um vento quente, mas era um vento.

Eu gostava do carro porque ele era confortável e a manutenção era quase desnecessária e porque foi o carro que comprei quando minha primeira filha nasceu, esse momento cheio de alegria e esperança. Comprei pra que ela tivesse mais conforto e segurança, percebam que meu carro anterior era muito pior. 

Com o tempo, ficou óbvio que meu conceito de conforto e segurança era equivocado, e me lembro de quando, aos três anos, minha filha viu uma propaganda de um carro grande, aquelas propagandas em que os carros grandes estão subindo montanhas e andando em ruas vazias pelo centro da cidade. A menina viu aquilo e disse “Gosteeeei” e eu percebi que tinha que trocar de carro, por outro com mais espaço e menos afeto.

E este terceiro carro (a quem eu quero enganar?) foi a minha mulher que escolheu, um carro mais alto e mais fácil de estacionar, e acho que pode ser considerado um desses carros que os homens chamam de “carro de mulher”. Fico tranquilo com relação a isso. Sinto falta, apenas, daquele meu carro velho, daquele câmbio de marcha descascado, as manivelas da porta quebradas, o banco de trás com bala e Fandangos jogados. 

Me dá uma saudade da reação das pessoas quando me viam dentro daquele carro velho. Os que não vão com a minha cara comemoravam a dificuldade financeira. Os que gostam de mim identificavam-se com a batalha. Acredito que era um carro que melhorava o dia de todo mundo.

Acima de tudo era uma lembrança diária de humildade.



 Era uma prova de que eu poderia viver com muito pouco, de que as coisas materiais não são importantes, de que só precisávamos uns dos outros para ficar bem. 

Em um mundo em que os carros ficam cada vez maiores, ocupando cada vez mais espaço em avenidas já lotadas, aquele carro velho me lembrava das coisas que realmente importam na vida, todas elas mais baratas do que um carro novo. Não era um voto de pobreza, era um voto de riqueza. Uma riqueza de espírito que quero me lembrar pra sempre de ter, independente do tamanho do meu carro.

" O Recorde que não nos orgulha "

Ana Amélia Lemos <Senadora PP-RS>
Artigos Zero Hora
Mais de 1,5 milhão de empregos com carteira assinada foram extintos no Brasil em 2015, no pior resultado anual dos últimos 24 anos. Esse recorde não nos orgulha. 
Somente em dezembro, 596,2 mil trabalhadores, a maioria chefes de família, ficaram sem salário, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A cada trimestre, o número de desempregados cresce, atingindo 9,1 milhões de trabalhadores, segundo o IBGE.
As projeções para este ano recém iniciado também preocupam. Estudos da Organização Internacional do Trabalho estimam que 700 mil brasileiros perderão seus empregos ao longo de 2016. 
A cada três desempregados, no mundo, um será brasileiro. A OIT projeta uma triste estatística social: 2,3 milhões de desempregados no planeta.
A deterioração do mercado de trabalho é o mais perverso efeito da crise econômica que o país enfrenta, penalizando a parte mais fraca da cadeia produtiva: o assalariado, que precisa prover a si e a família frente às necessidades básicas.
 A informalidade tem sido a alternativa para muitos trabalhadores, ante a falta de perspectivas em conseguir, no curto prazo, outro emprego com carteira assinada. 
Sem acesso a benefícios, como seguro saúde, vales transporte e alimentação, o desempregado acaba aumentando a demanda por esses serviços públicos. As empresas também são afetadas nesse processo porque, pressionadas pela recessão e queda na atividade, são forçadas à demissão de pessoal qualificado.
Empregos não são criados num estalar de dedos! Cabe ao governo, com urgência, adotar medidas para estimular o desenvolvimento e ativar o crescimento econômico, com novos empreendedores que possam garantir a oferta de emprego e renda para os trabalhadores e o resgate da dignidade daqueles que foram demitidos. É preciso recolocar o Brasil nos trilhos, sem partidarismos ou ideologias, com o esforço das lideranças das nossas instituições. 
O governo não pode ignorar a gravidade da situação. Está faltando coragem, credibilidade e competência para medidas ousadas que possam garantir fôlego à economia sucateada e sem perspectivas!

" Caminhos para o Desenvolvimento "

Caminhos para o desenvolvimento Gilmar Fraga/Arte ZH
EDITORIAIS Zero Hora
Depois de um ano e meio de isolamento e de muitas decisões equivocadas, a presidente Dilma Rousseff reuniu ontem o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social com o propósito de receber dos representantes da sociedade brasileira sugestões de estratégias para o enfrentamento da crise. O Conselhão — como é chamado — é composto por empresários, sindicalistas, representantes de movimentos sociais e de outros setores representativos dos cidadãos. 
A pauta da reunião não poderia ser mais desafiadora: apontar caminhos para o desenvolvimento em meio a uma das maiores crises da história do país.
Ainda que o processo de impeachment esteja em banho-maria e tenda a ficar paralisado até depois do Carnaval, talvez até março, a verdade é que a tempestade de frustrações ainda não passou. Com a nova fase da Operação Lava-Jato voltada para a investigação de um negócio imobiliário suspeito envolvendo a família do ex-presidente Lula, a crise política recrudesce, por conta da proximidade entre o ex-presidente e o Planalto. Somam-se a ela a gravíssima questão da saúde decorrente da epidemia de zika vírus, a retração econômica que não dá mostras de arrefecer, a inflação descontrolada, o desemprego crescente e a violência urbana que já se tornou rotineira. Recolocar o país no rumo do crescimento em 2016 é um desafio monumental para os governantes, para as lideranças políticas e de todos os setores da sociedade brasileira. Resta esperar que as sugestões dos conselheiros ajudem o governo a redefinir prioridades e a encontrar saídas para a crise.

" É Cedo para apostar que TRUMP será indicado "


EDUARDO MUNHOZ SVERTS - Professor do Departamento de Ciência Política da UFRGS

De Washington, D.C., onde está vinculado à Elliot School of International Affairs, da George Washington University, o professor da UFRGS Eduardo Munhoz Sverts falou a Zero Hora sobre a disputa nas primárias dos EUA.

Zero Hora – Qual será o tema central da eleição presidencial deste ano nos EUA?

Eduardo Svarts – Na atual fase da campanha, os pré-candidatos tentam mostrar para os eleitores, financiadores e membros de seu partido que são os mais identificados com as ideias básicas do mesmo e que têm melhores chances de enfrentar o candidato do partido adversário. Depois das indicações, os discursos devem mudar e convergir para um número razoavelmente pequeno de temas tradicionais. Acredito que, na segunda fase, um tema que deverá ser bastante discutido será o papel do Estado, com democratas defendendo a reintrodução de programas do Estado de bem-estar, como o HealthCare, e republicanos criticando essa ideia.

ZH – A interferência do poder econômico na política é uma preocupação da parcela mais politizada do eleitorado ou está enraizada em toda a sociedade americana?

Svarts – Essa tem sido uma bandeira do senador Bernie Sanders, não exatamente dos demais competidores. No último discurso que o presidente Obama fez no Congresso, o tema foi mencionado, o que reflete sim uma insatisfação de parte do eleitorado. Entretanto, não parece haver uma movimentação mais consistente de reforma das regras do complexo sistema eleitoral estadunidense e tampouco dos mecanismos de articulação entre os poderes econômico e político. Lobbies, “super-PACs”, think tanks, grupos de interesse, empresas, associações e levantadores de fundos de campanha atuam muito intensamente aqui em Washington. Há todo um mercado de influência, acesso, venda de ideias e captação de recursos na cidade.

ZH – Por que figuras marginais nos grandes partidos, como Donald Trump e Bernie Sanders, dominam a cena das primárias até o momento?

Svarts – A emergência de outsiders não é um dado novo, especialmente nesta fase de disputa interna, que ocorre de forma paralela nos dois partidos. Entre os republicanos, a novidade é o fenômeno midiático Donald Trump, um empresário antes mais ligado aos Democratas, que está se beneficiando das divisões do partido e do pouco carisma que os demais pré-candidatos apresentam na TV, especialmente nos debates. A estratégia de Trump, nesta fase da campanha, emprega declarações bombásticas em meio a um discurso populista de direita que o tem mantido na mídia e liderando pesquisas. Frente às acusações e até ofensas proferidas por Trump, os demais estão na defensiva. Contudo, vários setores do Partido Republicano – e segmentos conservadores da sociedade identificados com o partido – têm se manifestado duramente contra ele. É cedo para apostar que Trump será indicado. Já entre os democratas, Sanders não é exatamente uma figura marginal, uma vez que tem quase 20 anos de atuação como congressista. Sanders tem crescido nas pesquisas de opinião com um discurso de esquerda, para os padrões daqui, defendendo um sistema de saúde pública universal e gratuito, como no Brasil. Isso tem apelo, dadas as dificuldades dos que não conseguem pagar planos de saúde.
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Fonte:  http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a4962057.xml&template=3898.dwt&edition=28299&section=3595

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

" Brasil Piora 7 Posições em ranking mundial de corrupção e fica em 76 "



Estudo da Transparência Internacional analisa percepção de corrupção.
Dinamarca é o país menos corrupto entre os avaliados.

O Brasil é o 76º colocado em ranking sobre a percepção de corrupção no mundo, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (27) pela organização Transparência Internacional, que analisa 168 países e territórios.

O índice brasileiro foi de 38 – 5 pontos a menos que em 2014, quando o país ficou em 69º lugar. Naquele ano, 175 países foram analisados –, ou seja, o Brasil piorou tanto sua posição quanto sua nota. Foi o pior resultado de uma nação no relatório 2015 comparando com o ano anterior.
A ONG elenca o escândalo na Petrobras, os problemas na economia e o crescimento do desemprego como alguns motivos para a deterioração do Brasil no ranking. O país divide a 76ª posição com mais seis nações: Bósnia e Herzegovina, Burkina Faso, Índia, Tailândia, Tunísia e Zâmbia.
País com a menor percepção de corrupção
A Dinamarca ficou em 1º lugar, como o país em que a população tem menor percepção de que seus servidores públicos e políticos são corruptos. A nação mais transparente registrou um índice de 91 – a escala vai de 0 (extremamente corrupto) a 100 (muito transparente).

"Os países nas primeiras posições apresentam características comuns que são vitais: altos níveis de liberdade de imprensa; acesso a informação sobre orçamentos que permite à população saber de onde procede o dinheiro e como se gasta; altos níveis de integridade entre aqueles que ocupam cargos públicos", afirma a organização.
"Não é surpreendente que o Brasil, afetado pelo maior escândalo de corrupção de sua história pelo caso Petrobras, tenha sido o país da América que mais caiu no índice este ano", afirma a organização em um comunicado.
A tabela de honestidade na América do Sul tem o Uruguai como o país mais transparente no 21º, com índice de 74. O país mais corrupto é a Venezuela, com índice 17, na 158ª posição.
Mapa mostra diferença entre os países em corrupção no setor público (Foto: (Reprodução: Transparência Internacional))Mapa mostra diferença entre os países em corrupção no setor público (Foto: (Reprodução: Transparência Internacional))
Melhora
A Transparência Internacional é referência mundial na análise da corrupção. O relatório é elaborado anualmente desde 1995, a partir de diferentes estudos e pesquisas sobre os níveis de percepção da corrupção no setor público de diferentes países.

Apesar de a corrupção continuar sendo generalizada, a ONG afirmou que seu novo índice mostra "sinais de esperança", já que o número de países que melhoraram sua pontuação foi maior em relação aos que pioraram.

"É possível vencer a corrupção se trabalharmos juntos; para erradicar o abuso de poder, o suborno e revelar negociações secretas, os cidadãos devem dizer em uníssono a seus governos que já tiveram o bastante", afirmou em comunicado o presidente da TI, José Ugaz.

Análise por continente
Os países nas primeiras posições, segundo a TI, apresentam características comuns, como o alto nível de liberdade de imprensa, o acesso à informação sobre orçamentos que permite que os cidadãos saibam a origem o dinheiro e como o mesmo é gasto, altos níveis de integridade entre os cargos públicos e um Poder Judiciário independente.

Por outro lado, os países nas últimas posições, além de conflitos e guerras, se destacam pela governabilidade deficiente, por instituições públicas frágeis, como a polícia e o Poder Judiciário, e pela falta de independência nos meios de comunicação.
O Índice de 2015 mostra que mais de dois terços dos países apresentam graves problemas de corrupção ao não conseguirem o mínimo de 50 pontos, situação na qual está metade do G20 e todo o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, a Índia, China e África do Sul).
Mais de 6 bilhões de pessoas, segundo a TI, vivem em países com alto índice de corrupção. As regiões pior qualificadas são a África Subsaariana, a Europa Oriental e a Ásia Central, seguidas pelo Oriente Médio e o Norte da África e a América.

Na Europa e na Ásia Central, o panorama é de "estagnação", segundo a ONG, que revelou estar "muito preocupada" com a evolução de países como Hungria, Macedônia, Espanha e Turquia, "onde se vê que a corrupção cresce enquanto diminui a democracia e o espaço da sociedade civil".

Como exemplos positivos, a ONG destacou o trabalho de grupos e indivíduos em lugares tão diversos como Guatemala, Sri Lanka e Gana, que "trabalharam de forma intensa para expulsar os corruptos e, com isso, enviaram uma mensagem contundente, que deveria inspirar outros a agirem com determinação em 2016".

Ranking geral
Nenhum país dos 168 citados recebeu pontuação máxima, segundo a ONG, que tem sede em Berlim. Confira os principais resultados:

Posição
País
Dinamarca
Finlândia
Suécia
Nova Zelândia
Holanda
Noruega
Suíça
Singapura
Canadá
10ª
Alemanha, Luxemburgo e Reino Unido
16ª
Estados Unidos e Áustria
69ª
Brasil, Bósnia e Herzegovina,Burkina Faso, Índia, Tailândia, Tunísia e Zâmbia
167ª
Coreia do Norte e Somália